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O contexto das Guerras Mundiais

As Guerras Mundiais e a Valorização

Primeira Guerra Mundial

As grandes guerras mundiais, foram contribuidoras essenciais para a valorização e difusão da Terapia Ocupacional. A medicina não lidava com a reabilitação, e com milhares de soldados com graves ferimentos, era necessário a ajuda de pessoas que poderiam trabalhar na área de recapacitação. Os Estados Unidos estavam na época em que o foco era produzir mais em menos tempo, assim era necessário a reconstrução daquelas pessoas para manter a economia, além de gerar um retorno auxiliar para a família dos soldados. Com isso, houve uma chamada imediata de voluntárias, conhecidas como “auxiliares de reconstrução”. Essas auxiliares trabalhavam na área de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Enquanto as auxiliares fisioterapeutas usavam massagens e exercícios físicos para a reabilitação, as auxiliares terapeutas ocupacionais voltavam-se o foco as instruções para os ofícios.

(Auxiliares de reabilitação criaram ocupações para soldados feridos nos hospitais das bases da Europa.)

As auxiliares eram mulheres, uma vez que os homens estavam voltados a guerra. Por serem as primeiras terapeutas, elas construíam a base de aprendizado com médicos (devido a hierarquia de gênero da época, em sua maioria, eram homens). Na reabilitação dos soldados, eram responsáveis por ensinar novos ofícios, resgatar os antigos e trabalhar com novos hábitos para a rotina. Nesse meio tempo, ocorreu-se o Movimento de Artes e Ofício, realizado por arquitetos com intuito de valorizar o artesão e voltar o reconhecimento do trabalho sem divisão de tarefas, onde o trabalhador pensa, projeta, executa e vende seu trabalho. Tal movimento serviu como base precursora para a Terapia Ocupacional.

No final da Primeira Guerra mundial, quase 1200 auxiliares de Terapia Ocupacional trabalhavam voluntariamente na recapacitação dos soldados. A procura sem precedentes de terapeutas ocupacionais que pudessem ser admitidos imediatamente, fez com que fosse criado programas de treinamento de emergência em Chicago, Boston, New York e Milwaukee. Meio a isso, a Sociedade Nacional de profissionais de Terapia Ocupacional (NSPOT), depurava informações e monitorava a qualidade dos programas educacionais.
Como consequência pós Primeira Grande Guerra, se verifica também o desenvolvimento da Terapia Ocupacional na Inglaterra, com a criação de departamentos de Terapia Ocupacional nos hospitais militares, para reabilitar os soldados. Os primeiros departamentos da profissão na área das incapacidades físicas, valorizavam o exercício muscular e articular, e já possuíam variadas máquinas auxiliares da reconstrução. A ocupação era através da pintura e carpintaria. Em 1930, Elisabeth Casson, médica psiquiatra, após ter contato com as escolas de Terapia Ocupacional nos Estados Unidos, implantou em Bristol, a primeira escola de treino em Terapia Ocupacional da Europa. Também na Inglaterra, em 1936, formou-se a Associação de Terapia Ocupacional (AOT).


Segunda Guerra Mundial

         Anos 40

(Em 1915 foi criada a primeira escola para lecionar Terapia Ocupacional em Chicago, nos Estados Unidos da América.)

A Segunda Guerra Mundial, teve uma necessidade ainda maior por serviços médicos do que a Primeira Guerra. Nesta, os terapeutas ocupacionais atingiram o reconhecimento oficial do status dos militares e já existiam Terapeutas Ocupacionais sendo professores. Entretanto, a profissão ainda era vista como um trabalho de mulheres. Em torno de 1945 eram 21 programas educacionais regidos por “professores” terapeutas, e 3224 terapeutas ocupacionais em atuação. Nos anos 40, foi criado também a AOTA, American Occupacional Terapy Association, que garantia padrões nacionais mínimos para todos os programas. Em busca de mais independência e comprovações de eficácias no atendimento, buscavam conhecimentos em áreas afins, como a ortopedia, psiquiatria, neurologia e etc.. Nesse período, o conceito da Terapia Ocupacional, passa a ter seu foco não mais aos ofícios, mas as patologias. 

Referências Bibliográficas 

  • SCHWARTZ, Kathleen. A história da terapia ocupacional. In: Willard & Spackman. Terapia ocupacional. 10° edição. Buenos Aires: Editora Panamericana, 2003. Cap 49, p. 796-805.
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_ocupacional

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